Para aqueles que percebem os textos bíblicos como fábulas, é doloroso ver a estória de Adão e Eva definir todo o rumo da sexualidade feminina.A era cristã foi a grande responsável pelo massacre do desejo da mulher, até então visto com naturalidade pelos pagãos, posteriormente endemoniados pelo catolicismo.
Apesar dos ditos "tempos modernos", da suposta "emancipação feminina" e de outros jargões típicos do assunto sexo, alguns estereótipos seguem reinantes.No psicológico mais profundo dessa 'modernidade' toda, a mulher ainda é vista como um ser que não tem relações sexuais.Ela faz concessões.Ela permite que outros a 'usem'.Na boca do povo:ela 'dá'.
É como se o ato sexual fosse uma via de mão única.Apenas o homem faz sexo.A mulher, pobre coitada, faz caridade.Não é Como você pôde transar com tantos?.É Como você pôde permitir que tantos transassem com você?.Essa sacralização do corpo feminino pode parecer estar acompanhada das melhores intenções, já que se confunde com 'preservação', 'pureza' e 'honra'.No entanto, só contribui para o massacre e o expurgo daquelas que se recusaram a aceitar tal cabresto social.
Os homens não são liberais.São conservadores.Querem se relacionar com as mulheres 'corretas'.De fato.É fácil ser conservador num mundo em que as estruturas morais privilegiam você.Para que mudar?Para que aceitar?É mais fácil, é muito mais cômodo, deixar que o sexo frágil quebre as correntes sozinho.
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3 comentários:
Hm...
Não. Acho que boa parte das mulheres de hoje em dia já sabe fazer sexo, sim.
Com exceção daquelas meninas do "voto de pureza".
Aliás, Hamster, vc leu essa reportagem? Acho que saiu na Veja.
Beijo e beijo, para a melhor publicitária-advogada desse mundo! :)
Gostei da abordagem. É bem verdade quase tudo que vc falou. Só complementaria dizendo que é conveniente para a mulher essa castidade, essa sacralização de seu corpo. As mulheres sempre foram mais machistas que os homens: no momento em que ela está em igualdade de condições, ela tem que ir atrás, e não esperar o provedor chegar com o alimento pronto em casa. Ir atrás tanto do trabalho quanto de parceiro(s) sexuais e afetivos. Esse caminho já estava traçado antigamente, e é só a nossa visão romantica-novelistica que nos mostra os casos de conflito. Se funcionou por tanto tempo, é pq não dava tanto atrito como imaginamos!
Liberdade e independencia têm um preço, e o que vejo é que muitas mulheres modernas não estão dispostas encarar a vida de frente. Como homens! (perdoem, mas o machismo está impregnado também na linguagem).
Espero que não tenham abusado mto de vc lá no trote moça! A gente se esbarra pelos corredores!!!
Tema sempre delicado, mas no referido texto tratado com uma leveza destacável, embora de forma direta. Apenas devo discordar no que tange em Adão e Eva serem o ponto de partida da sacralização do corpo Feminino. Vejo este, sim, na visão de Aristóteles, que veio alguns séculos depois, visão esta que se tornou reinante com o domínio mental da Igreja na Idade de Trevas. Adão e Eva seriam muito mais a justificativa, baseada numa má interpretação do texto para tal fim.
Muito mais do que a acralização do Corpo Feminino, houve também o tolhimento da mulher ao direito do prazer sexual. A mulher era a reprodutora, o objeto, disfarçada de fundamento do lar. Enquanto seus maridos se divertiam com as vadias nas ruas, elas rezavam ajoelhadas e cuidavam das crianças, muitas vezes, sabendo da infidelidade do cônjuge, mas como disse, ela era só uma reprodutora, e um objeto, por vezes de adorno, por vezes de divertimento.
A mulher é para o homem como um colar é para a mulher, não discordo nem repilo isto, embora ache que esta frase não pode ser desacompanhada de outras verdades fundamentais e incontestes. Ela não é só um objeto, não só uma caça. É um humano, não igual, nem superior, nem inferior, diferente do Homem.
Creio que o erro começa em como se cria a criança, não como ser humano, mas como animal. Como homem, ele vai procurar uma mulher que lhe ofereça o trinômio mãe-puta-dona de casa, e muitas vezes o primeiro é dispensado, pouco se preocupa com a sua companheira, é apenas aquela que dá colo quando ele precisa muito, a que arruma a casa dele e faz a comida, e a "que ele come de vez em quando, por que na tua tem outra... aí você sabe, tem os amigos no bar... a gente tem que contar e tal e coisa"
Bem, acho dificil mudar este panorama, não sou contra sacralização ou dessacralização do corpo. Sou a favor da liberdade de tornar seu corpo sagrado ou não. A começar pelas mulheres. Mas infelizmente, vejo isto como muito utópico ainda.
Perdão pela muita elongação no discurso.
Obs.: Perdão por não me apresentar, cri que nada isto acrescentaria
JM
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