sexta-feira, 16 de maio de 2008

Motim

Renego o amor plástico, com suas miudezas cirúrgicas.
Amor de espelho, de dama e cavalheiro.
Amor antiquado, sempre impermeável às irreverências
Do meu, do seu – do nosso – cotidiano.

Amor é plural e prosaico,
é o vivo , é o ato.

_Não aos cânticos de Glória, ao amor
de picos, fora do alcance das mãos,
das bocas, dos seios.

_Não aos eufemismos dos contos-de-fada,
onde os principados vivem eternas luas de mel..
‘E viveram felizes para sempre’-o príncipe, a princesa
e os jovens leitores que ainda acreditam na cegonha.

Chega de paixão cósmica, de Vênus,
De combinações astrológicas.

Leio:

“O príncipe levou-a pela mão. Sem champanhe, sem grinalda,
sem ponte levadiça. Um quarto próprio,
um sorriso encantado.

_E os pêlos do tornozelo dele grudaram na colcha de chenile...”

2 comentários:

Anônimo disse...

Perfeito! That's really love, actually

Monalisa Marques disse...

Ih, olha o Isaac aí.
:)